A água sabe quando fluir, procurar um novo caminho ou furar por entre a rocha

Muito se fala sobre desapegar e deixar fluir para uma vida melhor. Pouco ou nada se diz sobre: o quê deixar fluir? 

No extremo, o mau uso e o uso descontextualizado desta frase transformadora, tornam-na um lugar comum e a nós uns autómatos que deixamos andar tudo “na boa”. Será que é suposto deixar fluir tudo? Claro que não! 

Então, perante que situações fluis e desapegas?
Aqui é que está a pergunta difícil. Não é uma pergunta difícil porque a resposta seja difícil. A resposta é: fluis quando o que está em causa é somente o teu ego, resistes e lutas por valores.

O difícil é perceber em cada dia, em cada momento, o que é o teu ego e o que és tu?
Por outras palavras, estás a agir, reagir, resistir a uma mudança, a insistir na mesma situação por ego ou por valores?

Em que situações ages motivado pelo ego, seja sob a forma de ciúme ou medo? Medo de perder o emprego, medo de perder a posição social, medo de perder a cara metade,…?

Ou estás a agir por valores? Pela verdade, pela justiça de uma situação, ainda que com prejuízo próprio?

Mas para saber se estás a agir por valores tens de saber quais são os teus valores? Ou… Quem és tu?

Na verdade, a resposta ao que te deves desapegar é a tudo o que não és tu. Uma resposta tão simples, não fosse ser necessário conheceres-te.

Quem és tu? Tu não és o teu trabalho, tu não és a filha nem o chefe… Tu não és pobre ou rico porque isso é o que tu tens, não é o que tu és.

Tu és os teus valores. Os teus valores não são apegos. És tu. Também não é a ideia que fazes de ti. Isso é o teu ego.

Perante grandes questões na vida, questões que têm por base os teus valores, não fujas nem te escondas. Fura a rocha! Sê diferente. Sê tu. Sê a primeira andorinha da Primavera.

Pelos teus valores, vale sempre a pena resistir, lutar.

As questões pequenas e que contudo nos magoam… Deixa fluir ou procura um novo caminho. Adapta-te, muda, reinventa-te. Sê flexível. Procura uma forma de fazer diferente.

Não escolhemos nada senão como reagimos com o que nos deparamos. Então, como diria São Francisco de Assis:

“Senhor, dai-me força para mudar o que pode ser mudado…
Resignação para aceitar o que não pode ser mudado…
E sabedoria para distinguir uma coisa da outra.”

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