Amor_perfeito_de_mae

Amor Perfeito de Mãe

Problemas com a Mãe, quem os não tem?

Não conheço ninguém que confiando verdadeiramente não acabe confessando os problemas que tem com a sua querida Mãe: é porque se preocupa demais ou porque não liga, é porque se mete ou porque não ajuda, é porque não é amorosa ou porque ainda nos beija como se tivéssemos seis anos….

Basta assistir a uma Mãe a desabafar com a filha os problemas que tem com a sua própria Mãe para constatar o denominador comum enquanto nos divertimos com a ironia da situação.

Não fosse a Mãe, juntamente com o Pai, as figuras centrais dos nossos alicerces e certamente não haveria tanta celeuma. Mais ainda nos tempos que correm com a moda dos “traumas infantis” que só veio acrescentar à festa, reforçando que somos como somos porque todos estamos traumatizados com a nossa infância onde algures a Mãe fez qualquer coisa de muito injusto!

Mãe, porque não me amas como eu quero?

A maior benção de quem tem uma Mãe é ainda ter alguém neste Mundo que sempre o amará. Mas então porque tantos de nós duvidamos ou sofremos tanto com esse amor?

Todos nós temos a nossa coleção privada de conselhos e pressões “subtis” das nossas Mães, a empurrarem-nos na direção que elas prescrevem. Tal como prescrevem os factos mais insignificantes da nossa vida, do comer ao vestir, passando pela nossa cara metade e terminando na nossa carreira.

Tenho a impressão que se as Mães pudessem, estaríamos todos enfiados dentro dum ambiente de laboratório, perfeitamente condicionado, em que elas vão desenhando os caminhos que se abrem no labirinto para nós todos alegres percorrermos na ilusão de que somos autónomos.

Contudo, a vida está cheia de pessoas que nos tentam influenciar ou condicionar. Porque nos rebelamos tanto com esse amor de Mãe?

Penso que é porque no fundo, bem no nosso íntimo, as Mães querem ditar a nossa vida com o objetivo de que sejamos felizes (no seu conceito muito particular de felicidade) e nós, filhos, buscamos a nossa versão de felicidade, que queremos que seja aceite por Elas. Assim, Mães e filhos vivem um amor tenso em que um quer que o outro aceite e tome para si, até mesmo que aprove, a sua noção de sucesso e felicidade. Não havendo sintonia nas duas versões, surge o conflito.

Por outro lado, ressentimo-nos com as nossas Mães porque nem sempre a sua forma de amar nos faz sentir amados. Porém, sabemos que Ela nos ama. Mas não parece ser suficiente. Queremos que se orgulhe de nós, que nos aprove, aprove as nossas escolhas, comparta da nossa felicidade, nos acolha no seu colo, que nos proteja do mundo, seja nosso abrigo e ombro amigo, e finalmente que tenha dons divinatórios para saber que não estamos bem, mas apenas quando isso nos apraz porque doutra forma é intromissão!

No fundo, sobrecarregamos a nossa Mãe com um sem número de qualidades paranormais e atribuímos-lhe uma série de papéis que não são dela.

Mãe é Mãe e o seu papel é apenas esse. Mãe é amiga e confidente, mas não é a melhor amiga! Para ouvir as nossas loucuras e devaneios estão os amigos e irmãos. Mãe também não é psicóloga, padre ou fada madrinha para resolver os nossos problemas.

Mãe é para nos amar, amparar e aconselhar, como pode e sabe. Mãe é a pessoa que melhor nos quer neste Mundo. Mãe é para sabermos que neste Mundo há ou houve alguém que nos amou imensamente, para além da sua vida, acima de todas as coisas e sempre! Ponto. E que sorte de ter uma Mãe!

A Mãe ama como a pessoa que é

É difícil para um filho ver a Mãe como uma pessoa. Mas primeiro que tudo, Mãe é uma pessoa, com a sua história, as suas qualidade e defeitos.

Se cada um de nós se encontra em diferentes caminhos de evolução, a sequência natural será que cada um de nós tem a sua forma de amar mais egoísta ou mais altruísta, mais intensa ou mais tranquila, mais madura ou mais imatura, mais independente ou mais dependente do outro…

A forma de amar de cada um é um produto do amor próprio que cada um de nós tem, dos nossos medos, das nossas crenças, das nossas forças e, porque faz parte, das nossas fraquezas.

A Mãe não é diferente. A Mãe também ama com a sua bagagem. Não é de estranhar nem interpretar como egoísmo que muitos dos seus conselhos sejam baseados na sua enorme vontade de reescrever a sua própria história através dos filhos. Há que procurar entender a forma de amar de uma Mãe. Por exemplo, se for controladora e castradora, qual é o motivo? Perceber também que esse controlo visa criar uma redoma, onde estamos protegidos de todos os males, adversidades e dor.

Quando compreendi que a minha mãe me amava com cada fio da sua alma, além e mais, com todo o seu ser e com o melhor de si, deixei de cobrar ou querer mudá-la, mudar esse amor. Compreendi que a minha mãe me ama da melhor forma que sabe e consegue e eu sou muito abençoada por isso!

Continuo ainda hoje a ter de delinear as fronteiras entre o quanto ela pode intervir na minha vida e o que eu não permito. Penso que é um trabalho para a vida. O que mudou é que hoje o faço com mais tranquilidade e aceitação e isso fez toda a diferença. Aceito e sou grata pela forma como a minha Mãe me ama, e que em algumas coisas não entraria na minha dissertação de forma de amar ideal para as mães. O importante é que Ela me ama com o seu melhor, da melhor forma que sabe e consegue, dentro daquilo que A define e no contexto das dificuldades do seu caminho.

Obrigada, Mãe!

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